Trajetória e Marcos: Uma Jornada Global
Quando estou no Brasil, a pergunta de amigos e
ex-colegas que não vejo há décadas é quase sempre a mesma: “O que você tem feito?”. Explicar em poucos minutos
uma jornada construída ao longo de décadas em diferentes continentes é uma
tarefa complexa. Por isso, reuni aqui, de forma breve e factual, os principais
marcos dessa trajetória para quem deseja me conhecer melhor.
Minha vida não foi linear, mas sim uma busca intensa pelo potencial humano. Transitei entre escritórios de alta tecnologia e campos de petróleo, templos e desertos, o fundo do mar e a observação das estrelas. Essa bagagem como engenheiro, administrador, monge, atleta e astrônomo me moldou como um explorador do mundo.
O Marco Inicial na Indústria do
Petróleo (1980)
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Pioneirismo Acadêmico: Em 1980, tornei-me o primeiro aluno de Engenharia Elétrica da UFBA,
desde a criação do curso em 1941, a ser contratado por uma multinacional para trabalhar
fora do país.
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Seleção Rigorosa: Fui admitido na Schlumberger, líder mundial em tecnologia para a
indústria petrolífera. Na época, fui o primeiro engenheiro brasileiro fora do
eixo do ITA a ingressar na companhia através desse processo seletivo global.
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Provação ao Limite: O treinamento inicial de três meses assemelhava-se a um regime militar
de alta pressão psicológica e exaustão física, com testes surpresa na madrugada
e simulações de panes sob condições extremas.
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Resiliência: Em uma turma composta por graduados de Oxford, Cambridge e MIT,
enfrentando um inverno de -20°C com um inglês ainda básico, o índice de
desistência era massivo. Ao final do primeiro ano, eu era o único remanescente
daquela turma.
Ascensão Internacional e
Filosofia de Trabalho
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Ritmo Alucinante: Fui convidado a atuar fora da
América Latina, enfrentando rotinas de até 110 horas semanais que exigiam
conhecimentos sólidos de Engenharia Eletrônica, Eletromagnetismo,
Radioatividade, Geologia e Computação, além de excepcional habilidade em
Liderança e Comunicação Interpessoal. Cheguei a cumprir 88 horas seguidas de
trabalho no campo, sem dormir. Trabalhava não pelo dinheiro, mas por um ideal
de autossuperação, por sermos os melhores do mundo no que fazíamos - éramos
quase figuras mitológicas nos campos de petróleo.
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Preparação Autodidata: Enquanto
outros utilizavam os períodos de folga para turismo, eu me isolava em
bibliotecas estrangeiras para compensar minhas defasagens e
competir em igualdade com as mentes mais brilhantes do setor. Ali consolidei
minha máxima: não importa onde
você estudou, mas sim o que você faz com o que aprendeu.
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Reconhecimento: Recebi, em média, uma promoção por mérito a cada seis meses. Atuei no
maior e mais moderno escritório da Schlumberger, reservado à elite técnica da
companhia. Nós viviamos em
ambientes hipertecnológicos
que pareciam saidos de filme de ficção cientifica; nossos centros de pesquisa
contratavam os melhores PhDs em física nuclear, eletromagnetismo e matemática
do mundo.
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Geografia Extrema: Minha atuação profissional dividiu-se entre extremos, desde o frio da
Patagônia Argentina (-20°C) até o calor dos Emirados Árabes Unidos (+52°C),
passando por lugares tão exóticos quanto
Trinidad e Barbados no Caribe.
Presença Global e Legado
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Atuação em 137 Países: Entre 1980 e 2019, desenvolvi atividades profissionais em 137 países e
seis continentes.
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Poliglota: No final da década de 1980, já dominava nove idiomas, ferramenta que se
tornou indispensável para liderar equipes multiculturais. Nas dezenas de países
onde o Brasil ainda era um desconhecido naquela época, a comunicação abria
portas.
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Legado Institucional: Hoje, quarenta e seis anos após o meu início, o caminho pavimentado
resultou em mais de uma centena de engenheiros brasileiros atuando pela
Schlumberger fora do Brasil.
Reconhecimento Internacional
Aos 27 anos, em 1983, recebi o convite para
inclusão da minha biografia no Who’s Who in the World, publicação que
registra personalidades de destaque mundial.
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Who’s Who in the World: Biografia publicada anualmente desde 1996 até 2021.
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Who’s Who in Science and Engineering: Listado por 14 anos consecutivos
a partir de 1996.
Decisões Estratégicas e Novos
Rumos
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A Presidência Declinada: No auge da carreira, optei por seguir caminhos independentes e
explorar novos desafios. Declinei o convite da
Schlumberger para cursar o M.Sc. em Engenharia de Petróleo na Heriot-Watt University (Escócia). O curso tinha como objetivo me preparar para ser o
primeiro brasileiro a presidir a companhia no país - cargo que só viria a ser
ocupado por um compatriota 23 anos depois.
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O Convite de Peter Drucker
(1986): Fui aluno de Peter Drucker e, no mesmo ano, recebi
seu convite direto para dirigir o maior centro de treinamento de
administradores da América Latina.
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A Busca pelo Autoconhecimento: Também em 1986, abracei o Budismo e vivi a experiência de morar em
templos aos pés do Himalaia. Posteriormente, dediquei-me aos ensinamentos de
Gurdjieff e de outros grandes pensadores, mergulhando no estudo fascinante da consciência.
Contribuição Científica e
Acadêmica
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Formação de Talentos: Entre 1984 e 2019, atuei como palestrante recrutando jovens cientistas
e gestores em mais de 200 universidades de prestígio mundial, incentivando
novas gerações rumo a carreiras de impacto tecnológico.
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Sociedades Científicas: Tornei-me membro titular de 18 sociedades científicas na Europa e nos
Estados Unidos, algumas das quais admitem novos membros estritamente mediante
convite.
Pioneirismo em Exploração e
Ciência
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The Explorers Club (1996): Fui convidado a integrar o prestigiado Explorers Club de Nova York,
tornando-me o segundo brasileiro a receber essa distinção (o primeiro foi o
Marechal Rondon, em 1925). A
instituição histórica reúne os maiores exploradores do planeta, desde os
primeiros visitantes dos Polos Norte e Sul, do Monte Everest e da Fossa das
Marianas, até os astronautas que pisaram na Lua.
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Astronomia Histórica: Em 2001, fui o primeiro astrônomo amador a observar os 400 objetos do
catálogo Herschel 400 a partir do Hemisfério Sul. No ano seguinte,
após 521 horas de busca, tornei-me o primeiro cientista brasileiro nato a descobrir um cometa (veja as reportagens e fotos da época). Entre
2001 e 2013, realizei visitas técnicas aos 15 maiores telescópios óticos em
operação no mundo.
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Recordes Extremos: Entre 2011 e 2014, estabeleci três recordes mundiais (não publicados)
relacionados a mergulho em águas profundas e aviação.
O Ápice da Exploração Geográfica
(2012)
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Feito Inédito: Em 2012, tornei-me o primeiro brasileiro e latino-americano a visitar todos os países do mundo.
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Aversão à Publicidade: Mantendo meu perfil reservado, recusei sistematicamente conceder
entrevistas a órgãos de circulação nacional (como as revistas Veja e Exame,
e os jornais O Estado de S. Paulo e O Globo). Pelo mesmo motivo,
declinei propostas para protagonizar uma série em TV fechada e obter patrocínio
de uma companhia aérea nacional.
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A Jornada em Números: Ao longo de mais de três décadas, o itinerário acumulou o equivalente a
mais de 114 voltas ao redor da Terra, com a travessia de 263 fronteiras
terrestres e 152 cruzamentos da Linha do Equador. Defino meu caminho pela imersão, nunca pela
pressa. Foram 89 visitas aos Estados Unidos, além de
explorações minuciosas por todas as divisões geográficas de colossos como
China, Índia e Canadá. As fronteiras
deixaram de ser abstrações cartográficas... passaram, pouco a pouco, a delinear
quem eu sou.
Reconhecimento Internacional em
Viagens
Essa trajetória foi mapeada e reconhecida pelos
maiores clubes globais da categoria (Most Traveled People, Travelers’ Century Club e Nomad Mania):
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2013: Classificado como o 7º maior viajante do mundo pelo Traveler’s Exploits Club.
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2016: Biografado em uma entrevista de 26 páginas no livro Chasing 193 (Vol. 2), referência
internacional sobre os maiores viajantes do planeta. Incluído entre os sete “Magníficos Viajantes do Mundo” pelo lendário viajante espanhol Jorge Sánchez, o maior viajante da Europa. Classificado na 5ª
colocação no ranking 20 Best Travelers of the World.
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2017: Eleito o 24º World’s Greatest Globetrotter e incluído entre os World Top Travellers pelo Travellers’ 133 Club (Polônia).
Estes marcos sintetizam uma vida inteira dedicada à descoberta geográfica e humana, unindo ciência, rigor técnico e experiência global profunda.
E vocês? Me atualizem das suas vidas: Como foi a sua caminhada profissional por aqui, enfrentando todos esses altos e baixos do nosso Brasil? Como está a família, os projetos e o que tem trazido alegria a você hoje em dia?
Um forte abraço,
Paulo Mansur Raymundo